COLUNISTA RC24H/ MARISTELA OLIVEIRA - Transtornos da aprendizagem III

Disgrafia e disortografia, perturbações da aprendizagem afetam aptidões da expressão escrita, em particular a precisão ortográfica, organização e estruturação das frases, bem como regras gramaticais e morfossintáticas.


No artigo anterior falamos sobre a Discalculia que é um transtorno de aprendizagem caracterizada por uma inabilidade ou incapacidade de pensar, refletir, avaliar ou raciocinar processos ou tarefas que envolvam números ou conceitos matemáticos. Hoje falaremos sobre: disgrafia e disortografia.

Segundo o DSM-5 essas perturbações da aprendizagem afetam aptidões da expressão escrita, em particular a precisão ortográfica, organização e estruturação das frases, bem como regras gramaticais e morfossintáticas.

 

Disgrafia - (Dis= dificuldade e Grafia= grafar-escrever)

É resultante de um distúrbio de integração visuo-motora que afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números. Sabe-se que é necessário adquirir certo desenvolvimento ao nível de:

- Coordenação visuo-motora: para que se possam realizar os movimentos finos e precisos que exigem o desenho gráfico das letras; 

- Linguagem: para compreender o paralelismo entre o simbolismo da linguagem oral e da linguagem escrita;

- Percepção: que possibilita a discriminação e a realização dos caracteres numa situação espacial determinada; cada letra dentro da palavra, das palavras na linha e no conjunto da folha de papel, assim como o sentido direcional de cada grafismo e da escrita em geral.

Carcaterísticas:

– Lentidão na escrita;

– Letra ilegível;

– Escrita desorganizada;

– Traços irregulares: ou muito fortes que chegam a marcar o papel ou muito leves;

– Desorganização geral na folha por não possuir orientação espacial;

– Desorganização do texto, pois não observam a margem parando muito antes ou ultrapassando. Quando este último acontece, tende a amontoar letras na borda da folha;

– Desorganização das letras: letras retocadas, hastes mal feitas, atrofiadas, omissão de letras, palavras, números, formas distorcidas, movimentos contrários à escrita (um S ao invés do 5 por exemplo);.

– Desorganização das formas: tamanho muito pequeno ou muito grande, escrita alongada ou comprida;

– O espaço que dá entre as linhas, palavras e letras são irregulares;

– Liga as letras de forma inadequada e com espaçamento irregular;

 

Disortografia (Dis= dificuldade, orto=exato, grafia= grafa-escrever)

Consiste numa escrita, não necessariamente disgráfica, mas com numerosos erros, que se manifesta logo que se tenham adquirido os mecanismos da leitura e da escrita. Entre os diversos motivos que podem condicionar uma escrita desse tipo, destacamos os seguintes:

. Alterações na linguagem: um atraso na aquisição e/ou no desenvolvimento e utilização da linguagem, junto a um escasso nível verbal, com pobreza de vocabulário (código restrito). Dentro desta área estão os erros originados por uma alteração específica da linguagem, como são os casos das dislalias e/ou disartrias;

- Erros na percepção, tanto visual como auditiva: fundamentalmente estão baseados numa dificuldade para memorizar os esquemas gráficos ou para discriminar qualitativamente os fonemas;

- Falhas de atenção: se esta é instável ou frágil, não permite a fixação dos grafemas ou dos fonemas corretamente;

- Uma aprendizagem incorrecta da leitura e da escrita: especialmente na fase de iniciação, pode originar lacunas de base com a consequente insegurança para escrever. Muitas destas alterações entroncam a disortografia com a dislexia, ao ponto de, para muitos autores, a disortografia ser apontada como uma sequela da dislexia.

Caraterísticas:

– Troca de letras que se parecem sonoramente: faca/vaca, chinelo/jinelo, porta/borta.

– Confusão de sílabas como: encontraram/encontrarão.

– Adições: ventitilador.

– Omissões: cadeira/cadera, prato/pato.

– Fragmentações: en saiar, a noitecer.

– Inversões: pipoca/picoca.

– Junções: No diaseguinte, sairei maistarde.

 

Intervenção

A reeducação do grafismo encontra-se relacionada com três fatores fundamentais: o desenvolvimento psicomotor, o desenvolvimento do grafismo em si e a especificidade do grafismo da criança. Ao desenvolvimento psicomotor devem ser trabalhados aspectos relacionados com a postura, controle corporal, dissociação de movimentos, representação mental do gesto necessário para o traço, perceção espácio-temporal, lateralização e coordenação visuomotora. Já com aos aspetos relacionados com o grafismo, devem-se treinar habilidades envolvendo a escrita, como atividades que impliquem a utilização de lápis e papel, de forma a melhorar os movimentos e posição (gráfica), a pintura, o desenho e a modelagem. Os profissionais habilitados para trabalhar com tais problemas são: fonoaudiólogos, psicomotricistas, psicopedagogos, neuropsicopedgogos.

 

*Maristela Oliveira – Professora e Psicopedagoga, Especialista em “Estudos da Língua Portuguesa”, Pós-graduanda em Neuropsicopedagogia Clínica e Reabilitação Cognitiva (Instituto Sinapses). Contatos: Tel/whatsapp (22) 992323366 – e-mail: [email protected]

Categorias: Comportamento

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