COLUNISTA RC24H/ MARISTELA OLIVEIRA: Autismo - Aceitação ou desistência

O diagnóstico de autismo não é simples, e em caso de suspeita é importante ir ao médico para que seja ele a avaliar o desenvolvimento e o comportamento da criança, podendo indicar o que ela tem e como tratar


Em 1908 o psiquiatra suíço Eugen Bleuler usou pela primeira vez o termo “autismo” para descrever um grupo sintomas que relacionava-se a esquizofrenia. A palavra Autismo origina-se do grego ‘autós` que significa ‘de si mesmo`, também chamado de TEA – Transtorno do Espectro Autista. Em 1943, o psiquiatra austríaco Leo Kanner publicou sua primeira pesquisa sobre o TEA, com Contato Afetivo.

Credita-se naquela época que o comportamento das mães poderia desencadear tal problema. Já em 1944, Hans Asperger, desenvolveu uma tese onde expôs um conjunto de sinais semelhantes aos de Kanner em crianças com 3 anos o qual chamou de psicopatia autista. “Estar fora de dos limites implica ser anormal, mas não implica ser inferior”. Com o passar dos anos, várias pesquisas foram sendo desenvolvidas a fim de elucidar tais comportamentos.

 

 

Assim, são sintomas e características do autismo:

- Dificuldade na interação social, como contato visual, expressão facial, gestos, dificuldade em fazer amigos, dificuldade em expressar emoções;

- Prejuízo na comunicação, como dificuldade em iniciar ou manter uma conversa, uso repetitivo da linguagem;

- Alterações comportamentais, como não saber brincar de faz de conta, padrões repetitivos de comportamentos, ter muitas “manias” e apresentar intenso interesse por algo específico, como a asa de um avião, por exemplo.

Estes sinais e sintomas variam de leves, que podem até passar despercebidos, mas também podem ser moderados a graves, que interferem muito no comportamento e na comunicação da criança.

 

Algumas das principais possíveis causas incluem:

- Deficiência e anormalidade cognitiva de causa genética e hereditária, pois se observou que alguns autistas apresentam cérebros maiores e mais pesados e que a conexão nervosa entre suas células era deficiente;

- Fatores ambientais, como o ambiente familiar, complicações durante a gravidez ou parto;

- Alterações bioquímicas do organismo caracterizadas pelo excesso de serotonina no sangue;

- Anormalidade cromossômica evidenciada pelo desaparecimento ou duplicação do cromossomo 16.

 

Além disso, alguns estudos que apontam para algumas vacinas ou para a reposição em excesso de ácido fólico durante a gravidez, entretanto ainda não há conclusões definitivas sobre estas possibilidades, e mais pesquisas ainda precisam ser feitas para esclarecer esta questão.

 

Como confirmar

O diagnóstico de autismo é feito pelo pediatra ou psiquiatra, através da observação da criança e da realização de alguns testes de diagnóstico, entre os 2 e 3 anos de idade. Assim, o autismo pode ser, por vezes, quase que imperceptível e pode confundir-se com timidez, falta de atenção ou excentricidade. Por isso, o diagnóstico de autismo não é simples, e em caso de suspeita é importante ir ao médico para que seja ele a avaliar o desenvolvimento e o comportamento da criança, podendo indicar o que ela tem e como tratar.

 

Como tratar

O tratamento vai depender do tipo de autismo que a criança possui e do seu grau de comprometimento, mas pode ser feito com:

- Uso de medicamentos prescritos pelo médico;

- Sessões de fonoaudiologia para melhorar a fala e a comunicação;

- Terapia comportamental para facilitar as atividades diárias;

- Terapia de grupo para melhorar a socialização da criança.

 

Apesar do autismo não ter cura, o tratamento, quando é realizado corretamente, pode facilitar o cuidado com a criança, tornando a vida dos pais um pouco mais facilitada.

De acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, a CID-11 (ICD-11 na sigla em inglês para International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems), lançada no dia (18/junho - 2018) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) houve algumas alterações.O documento seguiu a alteração feita em 2013 na nova versão do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, o DSM-5 (na sigla em inglês para: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), que reuniu todos os transtornos que estavam dentro do espectro do autismo num só diagnóstico: TEA.

 

 

Em resumo, como era e como ficou

Segue a listagem de todos os códigos em vigor da CID-10 e a nova classificação da CID-11:

Autismo na CID-10

  • F84 – Transtornos globais do desenvolvimento (TGD)

    • F84.0 – Autismo infantil;

    • F84.1 – Autismo atípico;

    • F84.2 – Síndrome de Rett;

    • F84.3 – Outro transtorno desintegrativo da infância;

    • F84.4 – Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados;

    • F84.5 – Síndrome de Asperger;

    • F84.8 – Outros transtornos globais do desenvolvimento;

    • F84.9 – Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

 

Autismo na CID-11

  • 6A02 – Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

    • 6A02.0 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;

    • 6A02.1 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;

    • 6A02.2 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;

    • 6A02.3 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;

    • 6A02.4 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;

    • 6A02.5 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;

    • 6A02.Y – Outro Transtorno do Espectro do Autismo especificado;

    • 6A02.Z – Transtorno do Espectro do Autismo, não especificado.

 

Em vigor a partir de 2022

A CID-11, que será apresentada para adoção dos Estados Membros em maio de 2019 (durante a Assembleia Mundial da Saúde), entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022. A versão lançada agora é uma pré-visualização e permitirá aos países planejar seu uso, preparar traduções e treinar profissionais de saúde.

Mais informações (em inglês) no site da OMS (http://www.who.int/health-topics/international-classification-of-diseases).

 

Maristela Oliveira – Professora e Psicopedagoga, Especialista em “Estudos da Língua Portuguesa”, Pós-graduanda em Neuropsicopedagogia Clínica e Reabilitação Cognitiva (Instituto Sinapses), Pós-graduanda em Psicomotricidade (Faculdade Única).. Contatos: Tel/whatsapp (22) 992323366 – e-mail: [email protected]

Categorias: Comportamento

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